segunda-feira, 5 de novembro de 2012

NASA atesta participação do homem no aquecimento global

Estudo apontou que as ações humanas – e não a variação da radiação solar – são a principal fonte dos gases causadores do efeito estufa

Emissões de gases efeito estufa
Emissões: estudo liderado pelo cientista climático da James Hansen refuta a tese de que é a radiação solar a responsável pelo aquecimento global

São Paulo - O homem tem, sim, culpa no fenômeno do aquecimento global. Pelo menos essa é a conclusão do estudo Earth’s energy imbalance and implications (O desequilíbrio energético da Terra e suas implicações, em português), liderado pelo cientista climático James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA (GISS) e um dos pioneiros no estudo das mudanças climáticas nos EUA.

Publicada no jornal científico Atmospheric Chemistry and Physics (ACP), a pesquisa analisou o balanço energético do planeta - isto é, a quantidade de energia solar absorvida pela Terra e o montante devolvido ao espaço em forma de calor. A conclusão foi de que, apesar da incidência de radiação solar ter diminuído drasticamente entre os anos de 2005 e 2010 - foi a mais longa mínima de radiação solar registrada na história, desde que medições desse tipo começaram a ser feitas -, o desequilíbrio energético do planeta continua positivo. Isto é, a Terra continua a absorver mais energia do que manda de volta para o espaço e, portanto, continua esquentando.

De acordo com o estudo, nos seis anos analisados, cada metro quadrado do planeta absorveu 0,58 watts de energia a mais do que deveria. O número representa mais do que o dobro da quantidade de energia fornecida à Terra pelo Sol nesse período, que foi de 0,25 watts por metro quadrado. Ou seja, atualmente, a radiação solar não é a principal fonte dos gases causadores do efeito estufa, como afirmam os cientistas que defendem que o aquecimento global é um fenômeno 100% natural. Segundo a pesquisa liderada por Hansen, as ações do homem são as culpadas pelo aquecimento em excesso do planeta.
A solução? Para reestabelecer o equilíbrio energético da Terra, de acordo com os cálculos feitos pela equipe de Hansen, os níveis de dióxido de carbono do planeta - que atualmente estão em mais de 390 partes por milhão (ppm) - deveriam cair para cerca de 350 ppm.





Certificado Verde

Casas e edifícios são certificados como "verdes"

Editora Globo

Nossa casa está cheia de exemplos de desperdício. Aquela pia que você deixa aberta por muito tempo, o tempão de chuveiro elétrico ligado e lâmpadas acesas à toa. Multiplique isso por 100 apartamentos ou escritórios e você vai ter ideia de como o cuidado com essas coisas pode fazer uma diferença na conta – na do fim do mês e na do planeta. Menos mal saber que no Brasil estão construindo cada vez mais casas e edifícios sustentáveis, pensados para minimizar esses problemas. O número de obras que estão entrando nessa onda verde triplicou entre 2011 e 2010, segundo números do GBC (Green Building Council), ONG que incentiva a iniciativa. 

O principal instrumento da empresa para estimular a safra de prédios verdes é a certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design). Quando a solicita, o responsável pela obra recebe uma espécie de consultoria para que seu projeto seja eco-friendly. “Acompanhamos a elaboração do projeto, o início da execução e da operação. Ajudamos desde a escolha do local, para pensar em como evitar que as pessoas dependam tanto de carro, por exemplo”, diz Marcos Casado, gerente técnico do GBC Brasil. 


A certificação só é emitida depois que o edifício começa a operar e os consultores constatam que ele cumpre alguns critérios de sustentabilidade, como eficiência no uso de energia, de água e de materiais, controle de qualidade do ar, entre outros. Alguns requisitos são obrigatórios, outros, opcionais. O cumprimento de cada um gera pontos, que vão sendo somados. Com 40, o espaço ganha a certificação básica. Cem pontos dão direto à máxima, platinum. 


O movimento ainda está começando: hoje há somente 44 edifícios com o selo no país. O número vai aumentar rapidamente, no entanto, porque só agora, cinco anos depois da chegada da GBC por aqui, é que as obras estão ficando prontas. No total, existem 474 delas em processo de certificação. A cada ano, entra mais gente na fila. Em 2007, primeiro ano da ONG no Brasil, apenas 40 empreendimentos pediram registro. Em 2011, foram 197 – quase 5 vezes mais. 


“O principal mercado para construções verdes, atualmente, é o de edifícios comerciais, que responde por 43% dos certificados no Brasil. Eles estão mais acostumados a fazer a conta no final do mês”, diz Casado, lembrando que é possível certificar vários espaços, como casas, lojas, escritórios e até estádios – 10 dos 12 que vão sediar a Copa de 2014 são candidatos ao selo do LEED. 


“O mercado está se engajando na busca de soluções novas, porque o custo benefício é enorme”, diz Casado. O custo, mais precisamente, é de US$ 3,4 mil para quem quer a certificação para uma obra de até 4,6 mil metros quadrados. Quem vai vender ou alugar um móvel com a certificação, tem cobrado de 10% a 20% a mais que a média. Mesmo assim, não faltam clientes, porque no fim do ano a economia compensa. O consumo de energia é cerca de 30% menor, o de água, metade, e a geração de lixo diminui em até 80%. No total, a operação fica 9% mais barata, em média. E todo mundo sai ganhando: quem constrói o imóvel e quem o ocupa – além do planeta lá fora.